Segunda, 06 de Setembro de 2010
   
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Deputado Homero Pereira

Presidente da Frenlog diz que país durante décadas só fez estradas e se esqueceu dos trilhos

O presidente da Frente Parlamentar de Logística de Transporte de Armazenagem (Frenlog), deputado federal Homero Pereira (PR-MT), listou em plenário uma série de reivindicações dos produtores rurais do Mato Grosso. Pavimentação de rodovias, melhorias em ferrovias e diminuição do custo do frete estão entre as necessidades mais urgentes da categoria. Ao PortoGente, ele reafirmou os problemas citados na Câmara dos Deputados e disse que o Brasil, por sobreviver aos efeitos colaterais da crise global, não pode perder a chance de melhorar já sua infraestrutura logística.
“Não podemos perder este momento, extremamente propicio, para darmos o passo importante e nos tornarmos competitivos no mercado externo. Somente agora nós estamos reunindo as condições para sairmos deste estado de falta de investimentos nos diversos setores de logística. E que fique bem claro que quando falamos em infraestrutura, estamos tratando de um assunto que não se resolve com pequenas obras ou projetos que ao longo de um ano podemos concretizá-los. Por isso reforço que não podemos perder este momento”.
Homero Pereira reconhece que uma das dificuldades que mais emperram a vida do produtor rural no Mato Grosso é a deficiente malha ferroviária. Como ao longo de décadas o Brasil preocupou-se somente em abrir estradas por tudo quanto é canto, os trilhos ficaram em segundo plano e em diversas regiões brasileiras, hoje, não há alternativas para o escoamento de mercadorias. Ou é estrada ou é nada. Aí ocorre o fenômeno visto a olho nu na maioria dos estados brasileiros: empresários reféns de fretes e com cargas presas em congestionamentos e estradas ineficazes.
 
“Só agora, após uma década de privatização, é que as concessionárias de ferrovias conseguem praticar alguns investimentos. A herança estatal foi muito pesada. Nós sabemos que em um período de um ano, mesmo que não falte dinheiro e boa vontade, não se constrói mais do que 100 quilômetros de ferrovias. Porém, o Brasil tem uma série de fatores que sempre emperram grandes obras, como as batalhas por licenciamentos ambientais e, claro, a questão dos recursos financeiros. Estamos discutindo logística, mesmo, só de quatro anos para cá. Precisamos de mais”.
 
Questionado sobre o que tem sido feito para que o discurso lamurioso dê lugar às ações práticas, o presidente da Frenlog reconhece que todas as esferas do Poder Público têm uma parcela de culpa pelos gargalos logísticos brasileiros. No entanto, Homero Pereira adota um tom otimista ao vislumbrar na atuação de agências como ANTT [Transportes Terrestres], Anac [Aviação Civil] e ANA [Águas] um passo fundamental na formação logística do Brasil, onde o interior do País seja “olhado com mais carinho”, como o próprio parlamentar disse em plenário.
 
“Boas notícias estão tomando o espaço nos meios de comunicação, tais como a continuidade das obras da Ferronorte, os entendimentos no sentido de resolver de vez a história do direito de passagem nas ferrovias, as obras de conclusão da BR-163, enfim, podemos concluir que pouco a pouco vamos vencendo os obstáculos. Não é a situação ideal, mas a possível no momento. Esperamos que isso mude, evolua cada vez mais”.
 
Autor: Bruno Rios 
Fonte: Site Porto Gente

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